Dia 28 do Havai ao Japão: Terra à Vista
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Pronto, já é domingo outra vez e finalmente temos terra à vista. Amanhã, ao meio-dia em ponto, somos esperados na Hiroshima Kanon Marina. Até o lugar de amarração já nos foi comunicado. O Japão é diferente, e vamos senti-lo na pele!
Estou muito satisfeito com a forma como tudo correu (até agora, nunca se sabe). Sobretudo por ter visto a tempo a formação de uma zona circular e ter avisado os rapazes: isto ainda pode vir a ser um tufão dos valentes… Pois bem, assim foi: diz-se que o Bavi é o mais forte das últimas décadas. 40 mortos até agora, e o número ainda pode subir bastante. Por isso optámos por uma rota muito mais longa, por norte, para não só ficarmos mais longe, mas também para termos tempo de sobra para nos “desviarmos” caso a tempestade mudasse de rumo. É essa a vantagem de se estar no mar. As Marianas do Norte não tiveram essa sorte e foram duramente atingidas. Também em Taiwan, nas Filipinas, em Okinawa (sul do Japão, também muito longe daqui) e, em breve, na China, a tempestade se faz sentir.
Uma das coisas que de repente percebemos é por que razão, há uns 4 dias, começámos a ver esporadicamente navios no AIS. Quase sempre tão longe que nem os conseguíamos avistar a olho nu. Mas um deles era o Ever Qualquer-Coisa, um navio-irmão do Ever Given, aquele que ficou atravessado no Canal do Suez há uns anos. A dada altura deixou de nos ultrapassar e ficou parado. Ainda me apeteceu chamá-lo pelo VHF, na brincadeira: avariou alguma coisa, podemos ajudar? Precisam de um switch Ethernet, talvez? Mas agora percebemos: vai a caminho da China, e o porto de Xangai está praticamente deserto/fechado.
Nós próprios lidámos sobretudo com pouco ou nenhum vento, combinado com uma ondulação extrema vinda da direção onde a tempestade tinha estado 1-2 dias antes.

Na imagem acima vê-se a maior altura de onda que alguma vez vi: até 12 metros. Felizmente era uma ondulação muito longa, mas a certa altura as ondas ficaram mais cavadas e lembrei-me do Interstellar. Brrrrr. Tinha bastante medo de como seria mais perto da costa, mas já cá estamos e só tem vindo a acalmar. A tempestade passou para lá do Japão mesmo a tempo.
De resto, todos os legumes (pimentos, cebolas, alho, um pepino esquecido) já foram borda fora, porque não podem entrar no Japão. Daqui a pouco é a vez do resto da cerveja ir também borda fora… Felizmente já só resta cerveja panamiana não-assim-tão-boa; o Arnold e eu já bebemos toda a Brouwdok e a cerveja boa.
Esta noite temos de estar às 18:00 à entrada do Estreito de Bungo. Podemos chegar meia hora mais cedo ou mais tarde. É o que a guarda costeira quer. Porquê, não faço ideia. E se não conseguirmos, temos de mandar um e-mail ao agente, que depois passa a informação. Mas acabei de perguntar se não havia problema em chegarmos uma hora mais cedo e a resposta foi: não conseguem atrasar-se meia hora? Indireta percebida.
Bem, amanhã vamos andar numa correria, ocupados demais para publicar alguma coisa. Além disso, vamos ter de digerir todas as primeiras impressões. Por isso fica já agora. Espero que daqui para a frente o verão nos Países Baixos seja um pouco menos quente – aqui está mesmo a começar e parece que estão 30 e muitos graus….
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