Havai - Japão, dia 5: Noite de hambúrgueres

· Cruising, Pacific, 2026

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Esta noite vamos, pela 5.ª vez, fazer quartos e comer qualquer coisa boa. Daí o título deste texto.

Mas primeiro vamos voltar atrás até Honolulu. Vocês merecem, claro, saber como tudo acabou por lá. Tivemos uns dias bem preenchidos com o Maarten connosco: mais compras e visitas a dois museus muito giros.

Se alguma vez forem a Honolulu, não deixem de ir ao Bishop Museum. É um museu muito mais interessante (achamos nós) do que o comercial Polynesian Culture Center, por onde o Arnold e eu tínhamos passado juntos. O Arnold até estava com vontade de lá ir, mas depois descobrimos que tinha sido montado pela Igreja Mórmon para dar que fazer aos seus fiéis. O Bishop Museum fica na própria Honolulu e foi criado no final do século XIX pelo “Carnegie” local, um homem branco endinheirado chamado Bishop. Portanto, não tem nada a ver com a fé católica. Era casado com a herdeira do trono da dinastia havaiana. O tio dela, ou coisa parecida, foi o último rei, deposto por obra e graça dos barões do açúcar americanos. Na história do Havai, digamos que os americanos não se distinguiram propriamente pelo bom comportamento. Enfim, este museu claramente não depende do Estado em termos de financiamento: está lindíssimo e cheio de artefactos originais. Tem também um pequeno museu de técnica, ao estilo do “Nemo”. Também giro para nós, velhos engenheiros.

Fomos ainda ao palácio original desses reis do século XIX, que estiveram no trono menos de um século. Este ‘Oliani Palace não é muito grande e, como durante uns tempos serviu de escritórios aos novos americanos, fiquei com a impressão de que o interior foi depois reposto de novo. Simpático, mas nada de extraordinário, e a história dos reis já a tínhamos ouvido (melhor contada) no outro museu.

Na última tarde fomos ao supermercado japonês que, para confusão geral, se chama Don Quijote. Recomenda-se: bons preços e oferta variada. Comprámos fruta bonita que, esperamos, dure bastante. À noite, como despedida dos EUA, fomos ao Texas de Brazil, uma churrascaria de rodízio onde um empregado argentino (!) muito simpático nos mimou a valer. O Maarten gosta de um bom pedaço de carne, por isso correu tudo às mil maravilhas.

No dia seguinte, domingo, íamos zarpar. Para tratar disso, na sexta de manhã passei pela capitania do porto e, depois de trocar umas 10 palavras e esperar 20 minutos com a senhora antipática, recebi uma espécie de mini-talão para pagar. Pensei: não vou dar parte fraca, e entreguei o cartão de crédito sem olhar. Já cá fora, vi com atenção: 310 dólares por 12 dias. Ah ah, tanto drama por causa disto. Acho que ela se esqueceu de metade da conta, mas o problema não é meu.

A seguir mandei um e-mail ao meu amigo Joey, com todos os colegas do CBP Maritime Office em CC, a dizer que queríamos partir nesse fim de semana. Ups, logo uma resposta a dizer que, para isso, tinha mesmo de lá passar com todos os passaportes. A morada era um bocado vaga: quando escrevia a rua, aparecia-me uma zona portuária com um portão. Lá fomos, eu e o Maarten, de Uber: sim, pode deixar-nos aqui. Perguntámos no portão: então onde fica o CBP? Ora, aqui dentro do recinto, senhor, registe só os passaportes e siga esta linha branca. Depois da esquina havia um edifício baixo com uma porta. Não pode ser, pois não? Entrámos: um guiché com uma porta aberta ao lado. “You are the guys from Merrimac?” Percebemos depressa que aqui não há grande afluência. Ele tinha um formulário inteiro, mais ou menos igual ao que eu já tinha preenchido e enviado, mas agora preenchido à caneta, e uma listinha com números de campos que tínhamos de rever juntos. Uns tipos super simpáticos, mas era evidente que o número de velejadores por aqui caiu bastante. Ainda confirmámos que não havia problema em o Maarten ter chegado com ESTA e de avião e agora partir de barco.

No domingo queríamos ainda abastecer, e para isso tínhamos de ir à marina seguinte. Ao sair, confirmou-se que os avisos de “king tide” e “ondulação forte” eram mesmo verdade: havia vagas a rebentar na barra. Ups. Vejam o vídeo. Toca a esperar. Passado um quarto de hora, de repente acalmou e lá conseguimos sair do porto em segurança. Na outra marina havia outra vez uma jovem simpatiquíssima que ajudou com a bomba. Não, visitantes não podiam ficar ali, estava tudo cheio. Pois, não admira que já não venha ninguém. Muito curioso para um país com uma mentalidade tão comercial. Depois de metermos 120 galões, o tanque estava mais ou menos cheio e pudemos partir.

Nas primeiras horas, claro, nada de vento, mas depois da última cordilheira refrescou bem até uns 18 nós. O mar também estava um bocado agitado. Na manhã seguinte, quando me levantei, afinal o Maarten não era assim tão imune ao enjoo. Colámos-lhe rapidamente um Scopoderm atrás da orelha e, umas horas depois, estava outra vez impecável. Bastou um; agora, ao fim de cinco dias, está completamente adaptado e sente-se ótimo.

Como nem o Arnold nem eu estávamos muito contentes com o esquema de quartos da travessia anterior (20-24, 24-04, 04-08, e depois todos os dias um mais cedo), agora fazemos quartos de 3 horas. O quarto 1 faz das 20 às 23 e das 05 às 08, o quarto 2 só das 23 às 02 e o quarto 3 só das 02 às 05. O quarto de três horas parece bem mais curto e dormimos todos melhor assim. Também rodamos agora para a frente: depois do quarto 1 vem o quarto 2, etc. E o quarto 1 trata também da cozinha e da loiça. Assim arrumas a tua própria tralha e ficas dois dias livre de tarefas. Excelente sistema. Comecei eu com o quarto 1, porque sou quem menos sofre de enjoo nos primeiros dias: massa com molho de carne picada e tomate. Depois o Arnold com hambúrgueres, o Maarten com rendang e arroz, eu outra vez com burritos e hoje de novo hambúrgueres. Temos pão de hambúrguer fresco, por isso tem de ser comido em menos de duas semanas.

De resto, o pão está a sair cada vez melhor. Hoje ficou mesmo bom, com bolhinhas iguais no pão todo e sem abater. Menos água parece ser o segredo do ofício, mas depois conto se foi só um golpe de sorte.

Quanto à vela, do dia 2 ao 4 não correu às mil maravilhas, com vento a menos: 8-9 nós, de alheta até mesmo pela popa. Estamos a fazer uma enorme curva para sul para tentar apanhar os alísios. Desde esta manhã temos 11-14 nós e o barco, de repente, anda que é uma maravilha. Esperamos chegar por volta de 10-11 de julho, mas a 11 e 12 não podemos entrar porque é fim de semana. Felizmente o agente trata de tudo, por isso, nesse aspeto, nada de dores de cabeça.

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