Dia 28 Panamá ao Havai

· Cruising, Pacific, 2026

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Estou a escrever isto exatamente uma semana depois de termos chegado a Honolulu. Mas disso falo mais num próximo texto. Primeiro, a última semana no mar. E sobre isso até podemos ser bastante breves: mais do mesmo.

Ao contrário do que as previsões diziam, mantivemos bom vento até mesmo à entrada do porto. Sempre entre 16 e 22 nós.

Seria de esperar que, no último dia e meio, quando já estávamos perto da primeira e logo a maior ilha do Havai, chamada Hawai’i (não se pode inventar!), houvesse navios por perto e que o AIS e o VHF voltassem à vida. Só junto à segunda ilha é que vimos um único barco no AIS, e até entrarmos no porto nem um pio no VHF. Muito curioso. Diga-se, aliás, que foi finalmente o teste a um pedaço de software novo que escrevi no mar, em que o nosso próprio sistema avisa que há (finalmente!) outra vez um barco à vista, e a que distância vai passar. Funciona, mas ainda precisa bem de uma afinação, porque ora há avisos a mais, ora a menos.

Tenho de admitir que os últimos dias custaram aos três. Na avaliação, chegámos à conclusão de que Honolulu pode não ser tão longe como Omsk, mas anda lá perto. Para os leitores estrangeiros: todos os neerlandeses estão agora a sorrir à socapa a pensar numa canção famosa do cantor neerlandês Drs. P., ver https://nl.wikipedia.org/wiki/Dodenrit e, para a letra, https://lyricstranslate.com/en/drs-p-dodenrit-lyrics.html. Porquê exatamente, não se sabe bem, porque com a retranca Hoyt avariada a coisa correu às mil maravilhas. Mesmo sem retranca tínhamos boa velocidade e durante 9 dias seguidos fizemos mais de 200 milhas por dia. Perto das ilhas isso baixou um pouco, mas depois de tanto tempo a andar depressa até soube bem.

Na verdade, comemos muito bem. Pronto, o Rudolf já não está autorizado a cozer arroz e o Kees já não pode pôr sambal na comida, mas foi só isso. Ainda temos carne e frango para 19 refeições, muitos quilos de arroz e massa e sei lá mais o quê para a próxima etapa. Os frescos acabaram perto do fim, mas houve cerveja suficiente (uma por dia, e se fosse cerveja “light” e estivesse bom tempo, às vezes duas) e sobretudo café com fartura. Na verdade, só as batatas fritas é que estavam quase a acabar. O pão saiu bem todas as vezes menos uma. Afinal, a farinha integral do Panamá não se deixava amassar; felizmente ainda havia bastante da de Tenerife. Embalada em plástico, portanto também sem bichinhos nem nada do género.

Os atobás ficaram connosco até 3 ou 4 dias antes da chegada. Eram seis, que vieram à boleia umas três semanas. Agora têm de voltar a fazer o caminho todo a voar. A minha estimativa pessoal é que vão ter um fim lamentável.

O Starlink foi o grande herói da história; infelizmente/felizmente gastámos muitos dados. Pudemos fazer (video)chamadas às pessoas de quem gostamos e (infelizmente) manter-nos a par do que se passa no mundo. A bem dizer, não se devia fazer isso, porque impede um bocado de entrar naquele belo ritmo de oceano. Ainda assim houve bastante chatice: a meio da travessia, o Starlink começou de repente a ameaçar cancelar o contrato quatro dias antes da nossa chegada. Isto porque primeiro tinha de me identificar com o passaporte. Enviei uma cópia: rejeitada – este não é o senhor. Pois, é verdade, Kees Verruijt não é 100% Cornelis Arnold Verruijt. “Conversa” com a IA do Starlink – o “grok”. Pois, grande ajuda. Não funciona nem por nada. Só depois de 3 semanas a enviar e-mails e a reclamar é que apareceu um ser humano do outro lado, e aí, claro, ficou resolvido em 5 minutos.

Em suma, foi uma bela travessia, quase não nos aborrecemos e estávamos ansiosos por chegar ao Havai/Honolulu.

E sobre isso há muito para contar. Para o Japão já contratámos um agente que nos trata de tudo. Do lugar de amarração, por exemplo. No Havai não existe ninguém assim, quando a meu ver faria um negócio de ouro. Ora, a história é esta. No Havai não há muitas marinas, e a maioria, e as maiores, pertencem ao “State of Hawaii”, em particular ao DOBOR: Department of Boating and Ocean Recreation (Departamento de Náutica e Recreio Oceânico). Soa bem, não soa? Os sites parecem não ser atualizados desde 1999 e não há um site próprio para a marina que escolhemos por recomendação do https://noonsite.com, mas pronto, há um endereço de e-mail e um número de telefone. O Ala Wai Harbor fica mesmo ao lado da praia de Waikiki, portanto localização ultra privilegiada, e é a maior (mais de 600 lugares). Enviei um e-mail logo a seguir à partida do Panamá. Sem resposta. Duas semanas depois, outro e-mail. Sem resposta. Escrevi aos dois clubes náuticos que ficam na mesma bacia. Sem resposta. Arranjei um número VOIP, porque via Starlink não se consegue telefonar normalmente, liguei – sem resposta. Depois percebi que tinha o número errado, mas o software VOIP comunica isso dizendo “$ 7 por minuto” (quando supostamente ia ligar a $0.0037 por minuto). Lá tive de escrever outra vez ao apoio ao cliente, o que até correu razoavelmente, mas o software revela-se bastante pouco amigo do utilizador. Enfim. Felizmente, por acaso falei com a Liselotte e o Machiel do Pitou, que também cá estiveram: sim, já se sabe, não respondem a nada. É entrar, virar logo à direita e depois confrontar a capitania com o facto de já cá estarmos.

Bom saber. Na última noite ainda andei 4 horas às voltas para evitar chegar de noite. Muito boa ideia, porque as ondas de surf rebentam a dez metros do canal. Não é coisa para se fazer de noite! Entramos, e o pontão inteiro onde devia haver lugar para barcos de passagem (ou “transients”, como lhes chamam aqui) está ocupado por barquinhos em estados diversos. De sofrível a porque-é-que-isto-ainda-não-foi-ao-fundo. Acabámos por escolher o lugar menos mau e finalmente ficámos parados.

Vista do nosso lugar em Ala Wai. Não olhem para o barco da esquerda.

Ao todo levámos exatamente 28 dias e percorremos 4796,7 nm, ainda assim com uma média de 7,2 nós. Uma vez fizemos 218,1 milhas em 24 horas e outra vez 224,4 milhas.

Continua na parte 2… a primeira semana no Havai…

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