Com o Jesse e o Sander até Cartagena
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São agora exatamente doze horas, hora local, e saímos de Aruba ontem às 06:00 rumo a Cartagena, na Colômbia. Mas primeiro, um pequeno recuo no tempo. Depois de, afinal, duas semanas em seco no estaleiro, o barco ficou finalmente pronto – não me queixo, porque só perguntei se era possível muito em cima da hora, e ainda por cima era Carnaval! Mas soube bem voltar à água. Fui logo direto para o sítio que oficialmente se chama Paardenbaai, mas a que toda a gente chama Surfside Beach. Aí fui logo recebido pelo Stefan do Intrepid Bear, que agora também tinha o filho de visita. Um rapaz às direitas, que está a estudar medicina dentária na Alemanha e estava cá a fazer um estágio de umas semanas com a nora da Enrita. No fim de contas, jantei com eles todos os dias até chegar a nova tripulação dos Países Baixos.

Fui buscar o Jesse e o Sander no carrito todo desconjuntado. Conheço os dois de Harlingen. Curiosamente, só se conheciam de nome, mas ainda no avião descobriram que têm imensos conhecidos em comum. O Sander é um verdadeiro “Oude Seun”, ou seja, no passaporte, em local de nascimento, diz Harlingen. O Jesse não, mas também já vive em Harlingen há décadas – entre outras coisas, chegou a gerir a Hema, e assim acaba-se por conhecer muita gente. Os pais dele eram, na altura, os donos da casa onde eu e a Marion vivemos agora. O Sander, para dizer a verdade, também não o conhecia assim tão bem, mas isso nem sempre é preciso. Ele gere com o irmão uma agência de navegação, ou seja, tratam da logística e da papelada dos navios que atracam em Harlingen. Desde o primeiro minuto que há boa disposição, e falamos de tudo, de Harlingen e dos seus habitantes até à situação mundial. Se pudéssemos governar o mundo por uns tempos, aquilo resolvia-se num instante.

Claro que levei o Jesse e o Sander ao parque nacional. Depois fomos ao Zeerovers, o sítio já não tão secreto de Aruba para comer peixe local. Felizmente ainda havia muitos locais, para dar o ambiente genuíno – americanos não são bem a nossa praia. Nota-se que já se espalham um pouco mais pela ilha; há 6 anos ainda ficavam enfiados nos hotéis-arranha-céus. A seguir fomos fazer snorkeling, o que para o Sander foi um grande passo, porque não se acha grande nadador. Afinal correu lindamente, só que infelizmente a água não estava muito límpida, e por isso a vida subaquática deixou um bocado a desejar. Entre outras coisas, voltámos ainda a fazer um churrasco em casa do Ingolf e da Enrita, e voltámos a comer no Elements. Vejam as fotos!

Como até ao Panamá são só uns dias de navegação, planeámos primeiro uma escala na Colômbia. Aqui isso não funciona como cá em casa, na Europa, onde se pode decidir a qualquer momento entrar num porto. Dei uma olhadela em https://noonsite.com e em Cartagena é obrigatório contratar um agente. Primeiro, perguntar à marina se tem lugar. Respondem ao e-mail quase de imediato e, uma horita depois, o lugar de amarração para cinco dias está tratado. Segundo passo: o agente; escolhi um da lista do guia de cruzeiro que está no site da marina. Mandei-lhe um e-mail, nada. Então pus o Sander, que também é agente, a mandar-lhe uma mensagem no WhatsApp. Continua sem resposta. Mesmo antes de decidirmos passar ao seguinte, o agente liga ao Sander. E pois claro, por 250 USD trata-se de tudo. Enfim, é um modelo de negócio local, mas pronto, vá lá. Não se pode contactar diretamente o capitão do porto, que acha que os iates estão abaixo do seu nível. Também é, julgamos nós, o maior porto da Colômbia, com um belo terminal de contentores, mas Roterdão não é de certeza. Parece que é uma cidade grande e bonita, com uma zona antiga extensa. Estamos curiosos!

Entretanto, desde ontem à noite que navegamos com o primeiro rizo metido e o estai todo enrolado, porque o vento e a corrente são tão fortes que, sem ajustar nada, chegaríamos à meia-noite. Uma experiência nova; normalmente é a todo o gás.
Hum, e acabo de receber uma notícia chata: o amigo que ia navegar comigo do Havai até ao Japão acabou de desistir. Assim, a três meses, dá mesmo muito jeito… Por isso, há mais alguém que queira fazer esta grande travessia a partir do final de junho?


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