Como chegar ao Suriname de veleiro (edição de 2025)
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Já tinha ouvido dizer que o procedimento de chegada ao Suriname tinha mudado no ano passado, mas não imaginava que se tivesse tornado tão digital, e muito menos que funcionasse! Para quem vier depois de mim, aqui ficam umas dicas sobre o como e o quê.
Por ordem cronológica, é mais ou menos assim (cada passo é explicado em pormenor mais abaixo):
- Pedir o visto eletrónico online (pode ser feito com bastante antecedência)
- Navegar até ao Suriname
- Durante a viagem ou já no local, preencher online os formulários para a alfândega e para a polícia marítima.
- Apanhar uma boia ou fundear no Harbour Resort Domburg
- Nadar na piscina
- Combinar com o Erik, que te ajuda com o resto do procedimento
- No primeiro dia útil a seguir (ou pronto, isto é o Suriname, no dia depois desse), ir com o taxista Harry ao sítio onde te tens de apresentar, com todos os passaportes, os vistos eletrónicos e uma lista de tripulantes.
- Feito!
Ao todo tens de tratar com três entidades (sites) e na MAS tens até de preencher três formulários digitais. Como a alfândega só aceita o registo a partir de sete dias antes da chegada, a bordo só o consegues fazer via Starlink. Se não tiveres Starlink, também dá pelo Wi-Fi do Harbour Resort.
1. Visto eletrónico
Pedes o visto eletrónico online em https://suriname.vfsevisa.com/
Atenção: há outros fornecedores que, por trás, preenchem o site verdadeiro por ti, mas te sacam “guita” extra. Um visto de turista de “entrada única” não deve custar mais de 58 € por pessoa. Com ele podes ficar 30 dias, prorrogáveis por mais um mês.
2. Navegar
Se, por uma razão qualquer que para ti seja válida, não tiveres assinatura do PredictWind, ruma à fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa e espera até apanhares primeiro corrente para sul (1 nó) e depois corrente para noroeste (3 nós). Era esta a dica que nos davam antigamente. Qualquer velejador sensato acaba por usar o PredictWind perto do fim da travessia, por isso mais vale usá-lo logo. É que, a partir de 7 dias de antecedência, o PredictWind também tem em conta as correntes na opção de “sail routing”. Continuas a fazer mais ou menos a mesma rota, mas percebes melhor porque é que te mandam fazer esta ou aquela curva esquisita. Se saíres do Mindelo, no início isto ainda não está incluído, por isso escolhe uma rota ligeiramente mais a sul nos primeiros dias.
Mantém-te o mais afastado possível da costa, que é onde anda a maior parte dos pescadores. Nas semanas antes do Natal até não é muito mau, porque a maioria já esgotou os dias de pesca e está em terra. Mais ao largo, pelo menos, todos os pescadores têm uma luz acesa. Eram fáceis de identificar e de evitar.
No fim seguimos a rumo 240 até à boia de aterragem. Como há bastante corrente no rio (2 nós ou mais), convém subi-lo com a maré a encher. Tem também em conta o teu calado e o canal estreito. Com uma maré de +2 m encontrámos uma profundidade mínima de uns 4,5 m, e 6,7 m no canal. Contacta a MAS (pronuncia-se como uma só palavra) por VHF no canal 16; no canal 12 não obtive resposta. Na preia-mar, os navios grandes primeiro saem e depois entram. Portanto, a partir de 2 horas antes da preia-mar podes contar com navios a sair. Tínhamos acabado de passar o troço mais estreito quando nos cruzámos com o primeiro navio grande. Tinha 148 m e 7 m de calado, portanto tem mesmo de ir pelo canal. Por isso chamou-nos para confirmar que tínhamos percebido (claro, já nos tínhamos desviado…)
Não navegues pelo lado leste das boias verdes, sobretudo no fim do troço mais estreito. Há lá uma ilhota inteira que não vem na carta.
Ao chegar ao Commewijne, não te encostes demasiado à direita, que está cheio de estacas com redes de pesca. O mesmo na própria bifurcação. Depois passas por Paramaribo; aí podes ir pelo lado direito para teres a melhor vista. Passas então por baixo da “bosje brug” (altura de sobra, 52 m) e segues até Domburg.
3. Preencher formulários durante a viagem
Durante a viagem podes (se ainda não o tiveres feito) pedir os vistos eletrónicos. E 7 dias antes da chegada podes preencher os formulários da alfândega em https://icf.sr/ e, se quiseres, também já os da MAS (Maritime Authority Suriname) em https://mas.sr/notice_of_arrival, mas estes podem ser feitos até dois dias depois da chegada!
Se não tiveres conseguido tratar de tudo durante a viagem, não há crise: isto não são os EUA nem a Coreia do Norte, fazes tudo com calma a saborear um café ou uma cerveja no restaurante (ver passo 4.)
4. Atracar
Em teoria podes escolher entre dois sítios para atracar, e à primeira vista Waterland parece muito apetecível, porque lá têm pontões de onde sais diretamente para terra. No entanto, fica num resort cujo restaurante só abre 1 ou 2 dias por semana (sábado/domingo) e atrás do resort não há rigorosamente nada. Sem carro alugado, não aconselho. Domburg é, na minha opinião, a melhor escolha. Aqui ficas numa boia de amarração (15 € por dia) ou fundeado (10 € por dia se quiseres usar as instalações). Há um pontão privado para o dinghy (fechado à chave) e, pagando a taxa, podes usar as casas de banho, os chuveiros e a piscina, que é simples. Também podes usar a máquina de lavar roupa por 5 €. Tudo isto forma o “Harbour Resort Domburg”, que inclui também o “Restaurant River Breeze”. Aqui come-se bem e sem complicações (pizza, massa, hambúrguer, saté, prato do dia, etc.) e bebe-se muito bem uma Djogo Parbo Bier acompanhada de um bitterbal. Tudo isto mesmo ao lado do minicentro de Domburg: uns barzinhos simples, restaurantes (e take-aways), supermercados chineses com uma variedade surpreendente, uma bomba de gasolina, multibancos e, um quarteirão mais à frente, outra bomba de gasolina que é também loja de ferragens, onde podes comprar cartões SIM e carregamentos eletrónicos. O Erik, dono do restaurante, guia turístico e mestre do porto, tudo ao mesmo tempo, já estava à nossa espera quando chegámos. Sabe encaminhar-te para tudo e ajuda-te com as formalidades. Vê também https://marinasuriname.com

5. Nadar
A primeira coisa que fizemos depois de chegar foi ir logo a terra, mudar de roupa e dar um belo mergulho. Foi divinal.
6. Erik
Se ainda não falaste com ele, vais agora à procura do Erik, um amesterdamês de coração ao pé da boca, mas no sítio certo, que já anda pelo Suriname há 30 anos. Juntos, lá se resolve tudo. No nosso caso, tratou de uma excursão ao interior para a tripulação e, para o skipper, do taxista do costume, o Harry.
7. Apresentação na polícia
O Harry vai buscar o comandante e inspeciona-lhe a indumentária. É que tens de te apresentar às autoridades com o devido respeito: sapatos decentes (leia-se: nada de chinelos), calças compridas e uma t-shirt bem lavada. Pelo caminho vão-te servindo histórias suculentas sobre o Suriname, paramos para um cafezinho, no regresso para uma sandes, no stress. Num momento que te parece completamente aleatório, viramos à direita algures perto do porto e o Harry leva o comandante até à porta certa, onde não há nada que indique que é ali. Tens de saber. Em 3 horas, incluindo 2 x 45 minutos de caminho e 2 lojas (uma para o Harry comprar um telemóvel novo e outra para eu ver que PVC têm na https://kuldipsingh.net ), estava de volta ao barco. A viagem de táxi custou ao todo 35 €. Antes de ires à polícia, tens mesmo de ter os vistos eletrónicos tratados. Eu tinha-os impresso direitinho e levava uma lista de tripulantes, mas (a) acabei por me esquecer das impressões dos vistos e (b) não tinha passado para a lista de tripulantes os números dos vistos começados por W, por isso tive de acrescentar todos os números à lista ali mesmo no gabinete. No stress, senhor, vai correr bem. Ou seja, aqui as pessoas ainda são humanas e um errozinho não significa logo ir para a rua e começar tudo de novo.
Em resumo: hoje em dia até é bastante simples e já não tens de andar de táxi com a tripulação toda de gabinete em gabinete. O que também é um bocadinho pena: era uma trabalheira e passavas das 9 às 2 nisso, mas também tinha a sua graça.
Para o despacho de saída, voltas ao mesmo senhor da polícia no terminal de contentores com uma nova lista de tripulantes e os passaportes. Basta ir o skipper e, no meu caso, pude tratar disso na sexta-feira, apesar de só zarpar na segunda. O horário é pouco claro, calculo que das 9 às 17, mas na nossa sexta-feira à tarde houve uma cerimónia nacional em memória de um drama familiar e por isso estava fechado. Felizmente eu já tinha feito o despacho de saída de manhã, por isso correu tudo bem. Depois o Erik dá-te um documento de saída que podes mostrar à alfândega do país seguinte como prova de que saíste do Suriname de forma regular.
Aqui em baixo podes descarregar um exemplo de lista de tripulantes e adaptá-lo como quiseres.
Exemplo de lista de tripulantes
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