1800 milhas feitas, faltam 150

· Cruising, 2025, Atlantic Crossing

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Já vamos no 9.º e último dia completo no mar. Contamos, com bastante certeza, chegar amanhã a meio da manhã à boia de aterragem. Depois disso ainda temos um bom bocado de rio para subir, mas vamos chegar com tempo de sobra para umas quantas djogos com bitterballen.

Pelo caminho as temperaturas foram sempre subindo, de 24 para 29 e agora 28. Os aguaceiros acompanharam a tendência: quanto mais calor, mais aguaceiros ao fim do dia. Felizmente não foram muito fortes e o vento extra que traziam não passou de uns poucos nós.

A tripulação está a ter uma bela travessia, que cada um vive à sua maneira. Um acha fantástico e por ele nunca mais acabava, outro já está farto e só quer chegar, ou não se consegue ambientar. É uma bela experiência de vida; a vela oceânica não é para todos, como mais uma vez se confirma.

Tirando a sanita elétrica, que voltou a entupir, e uma pequena infiltração que não conseguimos de maneira nenhuma encontrar, não houve grandes desgraças técnicas (até agora, pelo menos). Só o Watt&Sea precisa de ser inspecionado, porque desde esta noite faz um barulho diferente e produz menos energia. A eletrónica foi minuciosamente observada pelo Mark e as primeiras correções de bugs deverão sair hoje. Ele agora percebe muito bem como o sistema é usado em travessias longas e, como é o responsável pelos testes e pelo controlo de qualidade, isso é ótimo.

De resto, voltámos (sobretudo eu) a aprender umas coisas, que deixo aqui registadas como lembrete para mim próprio:

  1. A partir de 17 nós, em popa com as velas em asa de pombo, mais vale rizar: em velocidade quase não se nota a diferença e a área vélica fica mais equilibrada entre a grande e o estai. O barco balança menos e fica ainda mais tranquilo. A manobra de passar o estai para barlavento corre igualmente bem.
  2. Não esquecer de transferir o lastro de água antes de cambar.
  3. O novo sistema de rizes:
    • vela grande a bombordo, senão a régua fica presa por baixo do cabo de rizo.
    • Rizar em popa funciona lindamente: rumo a 170 TWA, retranca para dentro até ficar por cima da casota, burro completamente folgado, amantilho ligeiramente tenso, folgar devagar a adriça da grande e caçar o cabo de rizo.
    • Para tirar o rizo, orçar até vento de través e depois soltar a retranca para ela se mexer; isso solta os cabos de rizo.
  4. A corrente ao largo do Suriname é muito interessante, com um giro completo. Estudar isto em detalhe logo à partida e criar um waypoint no sítio onde está, porque o routing do PredictWind só considera a corrente com uma semana de antecedência.
  5. Levantar mais o dinghy com cintas de aperto e tirar-lhe o banco.
  6. Dois garrafões de água de 5 L chegam para todo o lixo de plástico de 12 dias com 5 pessoas, desde que tudo seja cortado aos bocadinhos.
  7. Da próxima vez não esquecer o batom do cieiro/protetor solar.

Hoje termino com uma foto e um vídeo. Amanhã em Paramaribo, receio não ter tempo para escrever, mas podem acompanhar-nos no tracker…

A enorme corrente que nos está a dar uma bela ajuda

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