Bote novo (em construção)
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Anteontem já era outra vez hora de levar a Marion ao aeroporto. Tinha andado numa roda-viva em casa com tudo o que era assunto da Milûk e aproveitou para pôr o sono em dia. Leu um bom livro (“What we can know”, do Ian McEwan), subimos de carro ao vulcão, visitámos a cidade, jogou golfe uma vez, comemos quase sempre bem, e pouco mais. Bem precisava! Também foi um bocadinho por causa do tempo: nos últimos dias que cá esteve choveu pela primeira vez num ano no sudeste de Tenerife, e com muito vento. No dia em que fomos de carro ao vulcão Teide, no canto noroeste havia muita ondulação e mais uns quantos turistas ganharam um Prémio Darwin (espera-se). Era desaconselhado, ou até proibido, ir para o cais, mas não se é turista e teimoso por nada. Três mortos… Chegou a passar no telejornal das oito na Holanda, por isso sobretudo eu recebi uma data de mensagens a perguntar se estava tudo bem! Por cá não se passou nada. Nos dias seguintes, com o vento a rodar, houve algum balanço na marina, mas nada de preocupante.
No dia a seguir à Marion ter voado para casa, eu ia mudar-me para Santa Cruz, a capital. Isto porque não havia lugar nas marinas perto do aeroporto. É sempre assim: tempo magnífico, sol a pique, e vento nenhum, ou 2-3 nós mesmo de proa. Lá fui a motor até Santa Cruz. Depois de me anunciar à autoridade portuária e à marina, vieram os “Marineros” ter comigo num bote. O senhor fica ali: de rabo virado para o cais, e apanha um cabo do pontão que o deixa amarrado à proa a uma corrente pesada. Como não havia nenhum bote a reboque à popa, puderam saltar logo para bordo e ajudar, porque sozinho é uma tarefa bastante desajeitada. Ainda para mais porque acho que é a 2.ª ou 3.ª vez que faço isto com este barco. O vento forte tinha dado cabo do pontão aqui, por isso também tive de amarrar cabos a olhais no muro do cais. Tudo bem, mas isso obriga a umas escaladas para sair do pontão na maré baixa, porque todos os barcos compridos têm estes cabos…
Entretanto estava em contacto com a Navalia Yachting, que vinha entregar o bote depois das quatro. Lá para as cinco chega. E agora, como descarregá-lo e pô-lo na água, se só há uma rampa íngreme que nem chega ao nível da água? Voltei ao pontão e, mais adiante, estavam 6 homens claramente na última noite de um aluguer de barco. Música altíssima e incompreensível; o Shazam disse Roménia. Afinal eram uns moldavos muito simpáticos que, claro, se prontificaram logo a ajudar. Entre os cinco lá puseram o bote na água (com os primeiros riscos logo ali, porque foi tudo um bocado à bruta; antes de eu conseguir dizer “não, eu quero assim” já estava feito. Enfim, é o que é, e pronto, o primeiro risco já cá canta.) Depois, claro, encheu-se logo de água, porque não tinha bujão…. Ah, e este bote enche mesmo muito. Enquanto o anterior tinha um piso falso acima do qual a água não chegava quando estava vazio, neste ela entrava à vontade. O fornecedor foi buscar um bujão. Mais tarde avisou que voltava perto da hora de fecho, às sete. Entretanto reparei que a mangueira também não tinha as fichas de ligação ao depósito nem ao motor, por isso mandei-lhe um SMS. E pedi também uma cinta de borracha para a borda. Isso não tinha.
Quando o senhor voltou, só trazia o bujão. Mas onde estão as fichas? Sem elas, um bote pensado para andar a motor não me serve de grande coisa. Depois de algum vai-e-vem, percebeu-se que até as tinha, mas que não lhe tinha passado pela cabeça que eu as quisesse também. Suspiro. Agora vem trazê-las esta tarde, e pago-lhas.
Entretanto a roupa também já está lavada, um assento do banco da dinette levou um batente extra para não escorregar, e o software de tracking da Pelagia e o meu foram atualizados.
E eis que chega o senhor… Com uma ficha Yamaha (grátis!) para o motor, mas afinal Honda não tem de todo… Suspiro. Se tivesse dito mais cedo, a Marion ou o KJ + Tan ainda a podiam ter trazido. Fica para segunda-feira. A loja náutica da cidade também não tem. No regresso da cidade ainda estive à conversa com um tal Piet, num JPK 39, que também anda a dar a volta ao mundo. Os JPK são barcos muito rápidos e de construção leve, mas este navega segundo as regras de charter, por isso é seguro q.b. Eles têm um sistema simples para despachar a malta nova que vem pedir boleia: somos uma empresa, por isso são 100 € por dia. Pois, é caro demais para eles, claro! Eu também já tive vários a bater à porta, mas estou cheio. Senão às vezes é mesmo uma chatice, com muita insistência. Muito irritante. Se calhar penduro uma placa no barco: NADA DE BOLEIAS?
Bom, as camas estão feitas, falta só preparar uns cabos para içar o bote e estou pronto para o KJ (Kommer Jan) e a Tan (Tanneke). Chegam esta noite e ficam 6 semanas a bordo. Vai ser abastecer à pressa, porque quero partir na terça-feira, dia 18, rumo a Cabo Verde…


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