Mainland, Órcadas
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No sábado lá pudemos finalmente ir buscar o carro à J D Peace. Entregámos quatro garrafinhas de Brouwdok, mas havia imenso pessoal e nem sinal do tal senhor a quem as tínhamos prometido. Carros de aluguer há poucos em todo o lado, por isso podíamos levar um carro de sábado à uma e meia da tarde até segunda às quatro e meia, mas assim pagas três dias… Lógico, não é?? Enfim, tínhamos carro, coisa que pouca gente conseguiu (pelo menos fomos os únicos velejadores na marina.) Tenho de dizer, um carrito excelente, VW Golf TDI, 45.000 milhas feitas mas impecavelmente limpo.

Entretanto, já mais espertos, fomos espreitar uns sites e, pois claro, hoje em dia já não se pode simplesmente ir ver escavações – primeiro tem de se comprar bilhete. Talvez no local não tivesse sido assim tão mau, mas lá ficámos com bilhetes para Skara Brae no domingo às 10 da manhã. No sábado fomos até um túmulo no sudeste, mas chegados lá afinal um estava permanentemente fechado e o outro só abria durante a semana. Tal como o cafezinho ao lado, recomendado pela vista espetacular. E isso não está escrito no início do caminho de terra, não, só a meio. A partir daí as placas multiplicaram-se: não avance, inverta a marcha aqui, estamos fechados. Enfim, até tem o seu encanto. Depois almoçámos no simpaticíssimo mas minúsculo St. Mary’s hope (nome giro, também), carregámos as compras no Tesco e, depois de uma refeição rápida, lá fomos ao “cinema de bairro” em Stromness. Foi puro acaso, porque abria pela primeira vez depois da covid e só abre de 14 em 14 dias (no verão, que é quando costuma…) Como era numa antiga igreja, estávamos curiosos para ver se ainda podíamos aprender alguma coisa para o Midlumerlaankerkbios. Foi muito engraçado: mesas redondas à volta das quais nos sentávamos, e toda a gente espalhava em cima da mesa as bebidas e os petiscos que tinha trazido. Nós não levámos batatas fritas, porque fazem um barulho dos diabos, mas nem toda a gente achou isso necessário. Filme giro, também, “Another round” ou, em dinamarquês, “Krug”. Ver https://en.wikipedia.org/wiki/Another_Round_(film)



No domingo, então, fomos a Skara Brae, uma aldeia de 3100 a.C. Na lojinha, a Ella meteu conversa com a vendedora, que explicou que havia mais túmulos além dos que estavam fechados ou esgotados (Maes Howe), nomeadamente Cuween. Passando pelas 2 cervejeiras – uma comercial com restaurante, a outra numa quinta sem possibilidade de visita – seguimos para noroeste, onde fomos dar uma caminhada. À ilhota não conseguimos ir por causa da preia-mar.



Pela costa norte fomos ver um “broch”, uma torre redonda de pedra da Idade do Ferro, provavelmente construída umas centenas de anos antes do ano 0. Depois ainda, já de rastos, fomos às pedras de Stenness e ao anel de Brodgar.


De volta à marina, eu tinha um caso grave de overdose de pedras; Cuween podia esperar até ao dia seguinte. A filosofar, a Ella e eu concluímos que provavelmente também teríamos tido este tipo de casas, aldeias e monumentos em Drenthe e afins, se ao menos fossem de pedra. Madeira e tecido simplesmente desfazem-se. Assim, nos Países Baixos só nos restam os dólmenes.

No nosso último dia com carro ainda fomos a Cuween. Muito interessante: entra-se assim sem mais, recebendo a lanterna das mãos do grupo anterior, e quando acabas e não está ninguém, deixas a lanterna na caixinha destinada a isso. Foi um bocado arrepiante estar sentado dentro de um túmulo. Talvez 1,5 por 2, com umas camarazinhas laterais. É que as pessoas da Idade do Ferro tinham o hábito de pôr os ossos novos simplesmente junto aos dos anteriores. Algures há uns milhares de anos esse costume social mudou e passou-se a enterrar as pessoas individualmente. Essas, portanto, já não se encontram.

Terminámos o dia de carro com uma visita ao lado leste, onde tínhamos fundeado na 1.ª noite. Visto de terra, tudo parece muito diferente. O pontãozinho perto do qual poderíamos eventualmente ter fundeado afinal era uma coisa adorável, abandonada e ao deus-dará, com 2 quintas e mais nada. Mas almoçámos mesmo muito bem num sítio onde, pelo aspeto, 99% eram locais. Aliás, a comida e a bebida surpreenderam-nos pela positiva; claro, quase tudo é gorduroso. Mas comemos uma vez mal (o kebab), uma vez assim-assim (o chinês) e de resto entre bem e muito bem (o American diner, o sítio da moda “21”, o pub “Helgi’s”.) E em todo o lado pudemos beber as cervejas locais. A certa altura fez-se-nos luz: muitas cervejeiras aqui usam só um determinado malte inglês e por isso sabem todas um pouco ao mesmo. Cerveja não filtrada também não é normal aqui, nem nas pequenas cervejeiras. E nada de muito álcool, claro, mas isso também se compreende: as cervejas de 8% são todas muito “pesadas” e nada fáceis de beber. Uma Vlaams Paard aqui é coisa que simplesmente não se faz…

Para terem uma ideia da temperatura (da água): tiramos as garrafinhas diretamente do porão e estão à temperatura ideal para beber.
Entretanto chegou a altura de alguma manutenção: tínhamos água no porão. Desta vez afinal era um dos filtros do tanque de água potável que estava a pingar, e ao fim de 2 semanas o tanque inteiro (200 L) estava no porão. Felizmente no ano passado, na Horta, mandei fazer uma “bombinha portátil” (investir sempre nos empresários locais, para que continuem…) que agora voltou a dar muito jeito para tirar a primeira água. E em Aruba já tinha comprado uns filtros de água novos e lindíssimos de 10", com um botão em cima para os bloquear, para se poder trocar facilmente o filtro mesmo com a linha sob pressão. Hora de os montar! Depois de umas horas às voltas com aquilo, afinal tinha mesmo uma peça intermédia esquisita, por isso essa agora não pode voltar a ser desapertada, porque ao enroscá-la abri uma “rosca nova” no plástico, que é bastante mole. Vamos ver se conseguimos encomendar esses filtros americanos também nos Países Baixos… Ah, e também convém não deixar aberta, no fim, a torneirinha que serve para esvaziar o tanque de água potável com a bomba elétrica, senão o tanque de água potável faz sifão para o tanque da outra água. Portanto agora bebemos do tanque da outra água, mas com o nosso sistema de descalcificação a água é ótima – nem se sente o cloro que vem na água de abastecimento.
De resto, tivemos ótimo tempo para estas paragens. Um proprietário de barco local até achou que era altura de apanhar sol em tronco nu (com 15 graus, mas com um solzinho.)
Agora rumo às Northern Isles…
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