Kirkwall, Orkney

· 2022, UK

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Já passou um ano desde a última atualização deste blogue. Durante o inverno inteiro fui deixando escapar o momento de terminar também aqui a volta ao Atlântico.

Vou tentar compensar isso rapidamente e escrevê-la na mesma, no fundo para ninguém, mas pronto, ao menos fica feito.

Também vou escrever depressa as primeiras semanas da viagem deste ano, mas primeiro vou agora atacar isto fora da ordem cronológica, senão nunca mais se resolve: ou seja, criar um pouco de pressão sobre mim próprio.

Terra à vista!

Na terça-feira de manhã, depois de acertarmos as contas com o capitão do porto de Peterhead, largámos rumo à primeira baía do lado leste de Mainland, chamada Deer Sound. Fizemos uma travessia muito descontraída, com um tempo magnífico mas frio. Portanto, bem quentinhos dentro da casota. Entretanto já percebemos como funciona o novo VHF e somos avisados a tempo quando um navio se aproxima (demasiado).

Deer Sound

Depois de uma noite deliciosa fundeados em águas sem qualquer ondulação, de manhã vi o Oester a passar. Quando a maré virou, depois do meio-dia, fomos atrás deles e atracámos na marina de Kirkwall.

Oester (ao meio) e Merrimac (no canto)

Kirkwall é a capital do arquipélago das Órcadas. Estivemos cá os quatro em 2011, quando demos a volta ao Reino Unido, mas nessa altura (a) tínhamos mais pressa e (b) o tempo estava um bocadinho pior. Desde que viemos a caminho das Órcadas, o tempo tem estado mais frio do que o normal para aqui, é verdade, mas também muito mais soalheiro. Digamos que é um belo tempo de primavera holandesa. É certo que o termómetro também agora só marca 12 graus, mas o sol brilha a valer das 3 da manhã às 11 da noite. As baterias estão até outra vez completamente carregadas.

As Órcadas são uma parte da Escócia muito mais vibrante do que a costa leste (Peterhead), onde a pobreza, comparada com há 11 anos, diminuiu, mas continua a ser considerável. Provavelmente devem a riqueza ao turismo, que aqui tem uma escala razoável. Chegam cerca de 200 navios de cruzeiro, de grandes a enormes, com até 5000 passageiros de cada vez. Isso dá um impulso enorme à economia, que de resto vive da pesca, de um pouco de agricultura (marginal) e do processamento de petróleo. Provavelmente o último pilar é a chegada de gente “rica” do resto do Reino Unido que vem para cá à procura de uma mudança de estilo de vida. Pelo que percebo do guia de viagem, se aguentarem uns quantos invernos, ficam.

Nos últimos dias andámos a pé e de bicicleta+trotinete a dar uma voltinha pelas redondezas.

Catedral de St Magnus
A Ella no castelo em ruínas do Earl Patrick

A catedral tem 850 anos e é muito bonita. Desta vez também fomos ver as ruínas do castelo, que a Marion da outra vez teve de visitar sozinha. Hoje de manhã tínhamos reservado uma visita guiada à (pelo menos é o que eles dizem) melhor destilaria de whisky do mundo, a Highland Park. Um bocado cedo para um “wee dram”, mas muito bom e uma história gira. Com uma visita a seguir ao museu da catedral e ao Orkney Museum, já tivemos a nossa dose cultural do dia.

Destilaria Highland Park
2 alambiques de primeira destilação de 12000 L e 2 alambiques de segunda destilação de 9000 L

A partir de amanhã à tarde temos carro e podemos ir ver as antiguidades fora do comum. É que as Órcadas são habitadas há cerca de 8000 anos e há vestígios de 5000 a.C. Da outra vez fomos vê-los de autocarro, mas pelos vistos o motorista reformou-se, porque essa carreira já não existe.

Continua (e portanto também é antecedido por) mais!

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