Mergulhar com o Martijn
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Na nossa travessia em 2019, o André veio connosco. Em tempos foi um mergulhador fanático, mas começou a ter problemas nos ouvidos. Já os nossos ouvidos, esses ele encheu-os bem com o quão espetacular era mergulhar. Pois, pois, André, mas agora estamos a velejar…
E de repente dou por mim, sozinho, por uma longa temporada em Bonaire. Primeiro em confinamento, mas no fim de abril as medidas vão sendo aliviadas aos poucos, voltamos a poder ir a um restaurantezinho e, pouco a pouco, a ter alguma vida social. O barco já está pronto há muito tempo para a grande travessia, e a Marion e a Els só chegam a 12 de maio. E eis que, do nada, aparece um dinghy com uma senhora ao leme e um senhor que, num inglês perfeito, me vem perguntar se pode limpar o casco do barco. Bem, não é preciso, já tinha prometido isso a outra pessoa. Mas, se ele é assim tão bom mergulhador, qual das muitas escolas de mergulho me recomendaria para fazer um curso PADI Open Water? O Martijn não precisou de pensar muito: ele próprio, claro! Chegamos a acordo num instante: vou fazer um curso privado com ele, em vez de ir para uma escola de mergulho com um grupo, em que o instrutor tem de dividir a atenção por várias pessoas.
Uns dias depois já tinha despachado a teoria, com boa nota, e vou mergulhar com o Martijn. Afinal é um tipo porreiro e mora na praia, mesmo em frente a um local de mergulho. Ora, há 15 anos eu já tinha tirado uma espécie de “mini diploma de mergulho” para poder trabalhar debaixo do barco, ou seja, até 3 metros de profundidade. Por isso o primeiro mergulho corre logo bastante bem e conseguimos fazer todos os exercícios (“skills”, como lhes chama a PADI) em 2 mergulhos. À 2.ª vez vamos até ao recife, para também haver alguma coisa para ver. Tudo corre sobre rodas e, ao fim de 4 mergulhos, dizem-me que passei! Super rápido, graças à instrução perfeita um-para-um. E ainda por cima em locais de mergulho espetaculares, sempre num sítio diferente, com grau de dificuldade crescente.

O giro de mergulhar em Bonaire, para os turistas, é que se pode ir de carro até ao local de mergulho e simplesmente entrar no mar a pé. Parece que isso é raro; normalmente tem de se passar mais ou menos tempo num barco que nos leva aos saltos, e enjoados, até ao local. Mas ainda mais giro, claro, é que o recife continua ao longo e por baixo do campo de boias dos veleiros, e por isso pode-se mergulhar a partir do nosso próprio barco (ou do de outra pessoa). Assim, mergulhei a partir do 8 (Robbert e Luuke), do Baradal (com o Uli, em Klein Bonaire) e do Merrimac. Muito fixe!
O convívio com o Martijn, que já estava mais do que pronto para voltar a trabalhar depois do confinamento, e com a namorada dele, a Catherine, é muito agradável. Jantamos juntos várias vezes e rimo-nos imenso com as aventuras uns dos outros.
Num certo domingo, manda-me uma mensagem a perguntar se me apetece juntar-me a ele e à Cat no “Street art rally 2021”. Claro que sim! Afinal, um artista, o Kenneth Letsoin, de Roterdão, passou 5 semanas na ilha a pintar murais por todo o lado. É tudo fácil de encontrar e, aqui e ali, fazem-nos uma visita guiada simpática pelo terreno onde a pintura foi feita. Acabamos em casa de um casal que mandou alegrar o muro de betão à volta do terreno. A casa, construída por eles próprios e “quase acabada”, fica num sítio lindíssimo na costa leste, por enquanto ainda com uma vista fantástica. Infelizmente, os locais contam-nos que o terreno mais baixo, em frente, foi vendido a promotores imobiliários que vão poder construir lá 1600 casas…



E pronto, já está quase na hora… A Marion e a Els estão a chegar e, depois de uma semana a acabar e arrumar tudo, durante a qual a Els e eu ainda fazemos uns quantos mergulhos com o Martijn, chega a hora de nos despedirmos de Bonaire!
Ah, e já agora: se andarem à procura de um dive master em Bonaire, não procurem mais: https://diveexclusive.com/
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