Martinica
Esta página foi traduzida automaticamente. Ler o original (Nederlands)
Estávamos mesmo ansiosos por voltar à Europa, à França das Caraíbas. Desde logo para podermos usar os nossos próprios telemóveis, mas também, e sobretudo, para ir às compras ao Carrefour! E não nos desiludiu. E ainda por cima as baguetes e os croissants deliciosos, como só em França se fazem!
De St. Vincent saímos para passar uma noite numa baía lindíssima e sossegada em St. Lucia. Se não fores a terra não precisas de fazer o despacho de entrada, por isso vemos tudo a partir da água. A travessia é bastante dura e passo boa parte dela maldisposta. Há bastante vento e as ondas chegam do oceano com muita energia. Ao chegarmos à baía já está um senhor num barquinho junto à boia de amarração para nos ajudar, e não há maneira de lhe escapar. Claro que quer ser pago por isso. Como nos fazemos um bocado de desentendidos e perguntamos quanto é, diz 30 dólares. São mais ou menos 10 euros! Para agarrar e devolver um cabo! Lá lhe pagamos, mas prometemos a nós mesmos negociar melhor da próxima vez, porque isto é de loucos. E isto nem sequer é a taxa da amarração, essa vêm cobrar mais tarde, mas comparativamente não é assim tanto.
(Para quem não velejar: uma boia de amarração, ou poita, é um bloco de betão no fundo com um cabo preso, ao qual se pode amarrar o barco. Para manter o cabo à superfície e assinalar o sítio, há uma boia, normalmente com um olhal por onde se passam os nossos próprios cabos. Num barco alto como o nosso, às vezes é complicado apanhar a boia, por isso uma ajudinha é bem-vinda, mas não é impossível. Aqui as boias existem sobretudo onde é proibido fundear, para proteger o fundo do mar, o coral e a vegetação, ou simplesmente por comodidade.)
(Classificação etária: para quem tem estômago forte, embora ainda esteja relativamente calmo, porque consegui filmar)
O dia seguinte, a caminho da Martinica, também é agitado, mas mais suportável. Ao chegarmos à baía de Fort-de-France, a capital, amarramos a uma boia da Marina l’Etang Z’Abricot. É uma zona originalmente industrial que está em desenvolvimento. Há uma marina nova e vários prédios de apartamentos acabados de construir ou em construção. Há uma padaria e um Carrefour Express perto, portanto ótimo.
Ouvimos umas pessoas a gritar de terra e, mal acabamos de amarrar, somos logo chamados no VHF, mas a nossa resposta não é ouvida à primeira. Depois de umas quantas tentativas lá nos ouvem. Se tínhamos reserva, porque esta boia está reservada daqui a 4 dias, que pânico. Como de início só temos de fazer o despacho de entrada, vamos logo ao escritório, que é mais fácil falar cara a cara. Há outra boia disponível, por isso ficamos logo com ela por uma semana.
Na primeira semana alugamos um carro para dar a volta à ilha; pensámos em alguns sítios onde queremos ir, o resto logo se vê. No primeiro dia com o carro vamos a um Hypermarché e à Decathlon comprar fatos de banho novos. Calha-nos logo o maior supermercado da ilha, o Hyper-U.

Sacré-Coeur de Balata
Nos dias seguintes vamos para o norte da ilha; reservámos uma noite fora para podermos andar por lá com calma. Eu queria visitar a Sacré-Coeur em Balata, mas falhamos a placa e não vemos a igreja da estrada, embora fique mesmo à beira dela, mas, como descobrimos quando a visitamos mais tarde, em cima de um outeiro.


Em compensação damos com o Jardin de Balata, um jardim botânico com várias plantas exóticas, até para a ilha. E trezentas espécies diferentes de palmeiras. Tem uma vista bonita sobre um vale e está muito bem arranjado. A certa altura há um caminho/ponte mais elevado, e claro que vamos por lá. Subimos as escadas e, quando chego lá acima e quero atravessar o primeiro troço, percebo que é uma ponte suspensa. E ali estou eu, com o meu medo das alturas. Claro que não dou parte fraca e sigo em frente toda armada em corajosa. Felizmente só podem estar duas pessoas de cada vez em cada troço, por isso posso avançar com calma ao meu ritmo. É impressionante como funciona o medo das alturas. Não se passa nada e de repente o corpo assume o comando e começa a tremer, ao ponto de sentires que já não te consegues aguentar de pé. E também pode desaparecer de repente, às vezes a meio de um troço. Por isso ainda consigo apreciar a paisagem fantástica.

Depois da visita ao jardim seguimos para nordeste, por entre e ao longo das montanhas, à procura de um sítio para comer; demora um bocado, mas comemos lindamente, acompanhados de uma cervejinha local, a BAM. Decidimos então fazer primeiro o check-in no hotel no Mont Pelée que reservei e depois continuar para norte. A certa altura a estrada acaba, por isso vamos até lá e depois voltamos para o hotel. A paisagem é lindíssima e as vilas/aldeias são muito variadas. Algumas estão degradadas, outras estão um brinquinho, cheias de flores bonitas, plantas, árvores e pequenos jardins. E muita cana-de-açúcar e plantações de bananas.



Passamos pela destilaria de rum JM, onde podemos dar uma espreitadela. É interessante de ver e há umas caldeiras enormes; temos sorte por ser agora a época e estarem a trabalhar. Mas não achamos o rum grande coisa, por isso a loja da fábrica não é para nós.

No fim da estrada, no norte, há um pequeno porto de pesca, abrigado atrás de um grande molhe construído com dinheiro da UE. A costa norte é bastante agreste, rochosa, e as ondas do oceano batem ali com força. Não se aconselha navegar por ali e percebemos bem porquê. Mas é lindíssimo!


À noite esperam-nos no hotel às 19h00 para o jantar, que tivemos de escolher logo no check-in. De facto não há muitos hóspedes, por isso compreende-se. A comida é deliciosa. O hotel é composto por casinhas de várias cores espalhadas pelo terreno na montanha. Tem um ar acolhedor, só o tempo é que não é nada acolhedor: estamos metidos nas nuvens e chove com frequência.
No dia seguinte chove na montanha; queríamos fazer uma caminhada até uma cascata, mas a cascata que cai do céu trava-nos. Voltamos à costa leste, mas desta vez viramos à direita, pela estrada costeira para sul. A meio da costa leste há uma península com as ruínas de uma antiga plantação de açúcar, café e rum, o Château Dubuc.



Com um audioguia percorremos todas as partes da plantação. Deste lado o tempo está fantástico, está calor, a paisagem é bonita e a vista idem. Há umas subidas e descidas, mas vale bem a pena. Uma curiosidade engraçada: a filha da família, Aimée Dubuc de Rivery, foi raptada e tornou-se Sultana Validé, mãe do sultão turco Mahmud II.
O local de nascimento de outra filha famosa visitamos alguns dias depois, no sul: Marie-Josèphe-Rose Tascher de la Pagerie, mais tarde conhecida como Joséphine Bonaparte de Beauharnais. Ou seja, a mulher de Napoleão. O sítio, que em tempos foi uma plantação de açúcar, é um bocado dececionante: há um retângulo de pedra com uns 30 cm de altura, no máximo, que eram as paredes exteriores. De resto, ainda lá está a antiga cozinha, com um pequeno museu com alguns quadros e vestígios, nada de especial, mas é proibido fotografar. E as ruínas da refinaria, mas aí não podemos entrar.

Conta-se que talvez não tenha nascido aqui, mas na plantação de açúcar dos pais em Santa Lúcia. Os pais andavam frequentemente de um lado para o outro, por isso quem sabe. Foi batizada na Martinica, por isso é essa que geralmente se aceita como terra natal. Naquela época a ilha mudava de mãos entre Inglaterra e França; se tivesse nascido três meses antes, teria sido inglesa.
No sul, ao largo da costa, há um rochedo chamado Diamond Rock; não é mais do que isso, um rochedo em forma de diamante. Em tempos foi usado pelos ingleses para impedir os franceses de sair para o mar. O forte era guarnecido por 200 homens. Os ingleses chegaram mesmo a batizá-lo como navio de guerra: HMS Diamond Rock. Depois de muitas tentativas, os franceses lá conseguiram reconquistar o rochedo com um truque matreiro: deixaram um barco carregado de barris de rum encalhar contra o rochedo. Quando os ingleses já estavam bem bêbedos com tanto rum, os franceses correram com eles.

No norte fica St. Pierre, que antigamente era a capital da Martinica. Em 1902, no dia da Ascensão, a cidade ficou soterrada, como uma Pompeia, pela erupção do Mont Pelée. Quase toda a população de 30.000 habitantes morreu, muitos deles na catedral, na missa da manhã. Houve 2 sobreviventes. Um deles foi Auguste Ciparis. Estava preso numa cela de paredes grossas com uma janelinha minúscula, condenado à morte. Acabou por ser indultado e andou pelo mundo como artista de circo, como ‘O sobrevivente de uma erupção vulcânica’.
No fim da semana devolvemos o carro; ainda estamos à espera de peças enviadas da Holanda e depois seguimos viagem. No sábado mudamos o barco para a baía seguinte, mesmo em frente a Fort-de-France. Ainda não tínhamos visitado a capital e quero ir passear um bocado pelo centro. Mal lá chego, às 13h00, as primeiras lojas já começam a fechar as portas, apesar de haver bastante movimento e muitos turistas do navio de cruzeiro em terra. Ando à procura de uma livraria e há uma num pequeno centro comercial no meio do centro. Bebo lá um chá e, quando pouco depois volto a sair, o resto do centro está hermeticamente fechado com estores metálicos, como se pudesse rebentar uma guerra a qualquer momento.

A única coisa ainda aberta no cais é uma loja que vende fatos de Carnaval e despeja a respetiva música aos berros pelos altifalantes para a rua. À noite vamos para uma baía sossegada no sudoeste, para no dia seguinte navegarmos para o leste da ilha.

A viagem para leste não a vivi: estou de cama, KO. O Kees tem uns momentos emocionantes ao navegar por entre os recifes até à baía: a rebentação desfaz-se no recife à volta dele e só há um bocadinho com profundidade suficiente para passar, mas depois de passar fica tudo muito mais calmo. Fundeamos numa baía onde só está mais um barco. Parece deserto, mas um pouco mais à frente há uma aldeia de onde sai regularmente um barco de turistas que passa a toda a velocidade ao lado do nosso. Mesmo assim estamos maravilhosamente sossegados.
Uns dias depois, com o pacote entretanto entregue algures, pelo menos a DHL tem-no como entregue, voltamos a navegar para oeste. Como a marina ainda não tem o pacote, decidimos ficar na baía de Le Marin e Sainte-Anne. É uma baía muito movimentada, mas ficamos mesmo na ponta de fora, onde está tudo muito calmo. É aqui que continuamos. Todos os dias telefonamos à marina e à DHL, mas estavam fechadas por causa do Carnaval. E agora não sabemos onde está o pacote. Mas aqui está-se bem. Se olharmos para trás, estamos numa enseada onde parece que estamos sozinhos no mundo; se olharmos para a frente, há centenas de barcos fundeados, mas longe o suficiente para não nos incomodarem.



Dá para nadar à vontade; todos os dias nado um bocado até à praia ou na direção dela. A água está com uma temperatura ótima e tão límpida que se vê um alfinete no fundo. Há muitos peixes e uma tartaruga perdida. Ouvimos a barulheira do Carnaval em terra e de vez em quando vamos a Le Marin ou a Sainte-Anne buscar pão fresco, fazer outras compras ou simplesmente beber um copo. De resto, entretemo-nos muito bem com Redwood (sobretudo o Kees), livros, jogos (sim, até consegui convencer o Kees a jogar Gin Rummy comigo), pequenos trabalhos no barco, Wie is de Mol ou a preguiçar na rede. O tempo está instável, mas sobretudo bom. De vez em quando uma boa carga de água. Numa manhã a água no bote chegava acima dos tornozelos, de tanto que tinha chovido.
Enquanto escolho as fotos para este texto, telefonam-me a dizer que o pacote apareceu; é preciso pagar a alfândega e depois deve ficar tudo resolvido. Ainda nem desliguei e já o Kees levantou ferro e estamos a navegar rumo a Le Lamentin.
Comentários