São Vicente e Granadinas, parte 2
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No blogue anterior já tiveram um pequeno aperitivo. Hoje é o último dia neste arquipélago antes de regressarmos à Europa….. Nas Caraíbas, entenda-se. Mas primeiro vamos voltar a meados de janeiro, quando saímos de Granada…
De Carriacou (Granada) são cerca de 3 horas de navegação até à primeira das cerca de 35 ilhas de São Vicente e Granadinas: Union Island. Não é longe, por isso vemo-la durante a travessia toda. Temos uma boa velejada, bastante instável, porque o vento faz de tudo à volta das montanhas. Apesar de navegarmos a sotavento de uma ilha, a ondulação não desaparece: simplesmente contorna a ilha.

Junto a Union Island há uma pequena ilha artificial chamada Happy Island, feita de conchas, onde fica um bar muito popular que é paragem obrigatória. Com a ajuda do Mr. Biggs, apanhamos uma boia mesmo à porta! Compramos-lhe um belo atum fresco, que ele filetou ali mesmo para nós, por isso o stock para sushi está reposto.


Fazemos a entrada (clearance) e damos uma volta pela vila de Clifton. Há um movimento descontraído de lojinhas, tascas e restaurantes. À noite começamos com cocktails em Happy Island. Tínhamos esperança de também lá jantar, mas para isso é preciso reservar com bastante antecedência.

Dois casais americanos, com quem metemos conversa, convidam-nos a ir jantar com eles (cada um paga o seu, claro, à boa maneira holandesa) a um restaurante onde tinham almoçado maravilhosamente. A comida era de facto muito boa e foi uma noite muito agradável.
Num dos dias seguintes, enquanto o Kees está a trabalhar a bordo, vou ao posto de turismo planear um passeio. Uma rapariga muito simpática ajuda-me, mas as únicas coisas que há para fazer são ou ir para o mato, ou praia e desportos aquáticos. Nós só queríamos dar a volta à ilha para sentir o ambiente. Alugar um carro aqui não é propriamente comum, a ilha é pequena demais para isso. “Podemos arranjar-vos uma mula”, diz a senhora. Assusto-me um bocado e imagino logo o Kees e eu a dar a volta à ilha no lombo de um burro. Afinal é um pouco menos mau: é uma espécie de carrinho de golfe, mas com motor a gasolina. Portanto, toca a apreciar a natureza e a paisagem no meio da barulheira. O motor tem a força justinha para nos levar pela serra acima, mas conseguimos dar uma voltinha simpática. Embora algumas estradas simplesmente não deem a lado nenhum. Ao fim dessa estrada, porém, tivemos uma receção simpática:



Almoçamos na praia no Sparrow’s, um resort com restaurante. O tempo está bastante chuvoso e, embora a mula tenha um tejadilho de lona com que nos podemos tapar, voltamos para Clifton bem encharcados. Pelo caminho vimos uma barraquinha de roti, onde compramos uns roti deliciosos para comer a bordo.
Entretanto chegaram também uns conhecidos do Suriname. O Martijn, do Cruella, traz umas peças de roupa dos miúdos que tinham ficado no Suriname, no carro alugado que tínhamos trocado à pressa por um maior. Como agradecimento, pagamos-lhe uns copos em Happy Island e depois um jantar em Clifton. Entre holandeses toda a gente se conhece, por isso acabamos por ser 5 barcos e 9 pessoas na conversa e nos copos.

Os outros barcos vão jantar a bordo, mas os homens combinam ir à vila mais tarde. Tenho de dar um empurrãozinho ao Kees, mas depois do jantar deixo-o em terra com os outros homens e, depois de uma bela noitada, é ’trazido a casa’ pelo Martijn.
De Union Island seguimos para os Tobago Cays, uma área natural desabitada com umas quantas ilhotas, que é também uma reserva de tartarugas. Nota-se a popularidade pela quantidade de barcos. Vamos para um cantinho mais afastado para ficarmos mais sossegados – para os entendidos: a nordeste de Baradal, mesmo junto ao Horseshoe Reef. Vêem-se regularmente tartarugas a nadar, o que é claro muito especial, mas sempre que acho que vou conseguir tirar uma fotografia, elas mergulham outra vez.

Um senhor, o Teddy, aparece para nos vender um churrasco na praia, organizado numa das ilhotas. Já tínhamos ouvido falar disso, por isso dizemos que sim. Mais tarde volta para dizer que infelizmente tem de se ausentar, mas que devemos perguntar pela Elizabeth. Na altura não pareceu importante, de qualquer forma iríamos lá poder jantar, mas afinal é uma organização muito peculiar. Depois de andarmos um bocado de bote à procura do sítio exato, encontramo-lo no lugar lógico: onde se vê o pôr do sol. Também por isso há imensos barcos fundeados ali. Na praia, debaixo de umas árvores, há uma fila inteira de grelhadores. São uns 10 cozinheiros, cada um a vender a sua comida. A praia está cheia de mesas de piquenique, que são atribuídas a um cozinheiro de cada vez. Os barcos que vão chegando são distribuídos à vez pelos homens nos barquinhos, e as pessoas que cada um angaria vão para o cozinheiro para quem ele trabalha, por isso não se pode escolher com quem se janta. Comemos uma lagosta deliciosa da cozinheira Elizabeth e, no dia seguinte, umas ótimas costeletas, tudo com legumes, arroz e batatas.
No dia seguinte, a fazer snorkel no Horseshoe Reef, vemos peixes lindíssimos no recife e até uma raia passa a nadar por baixo de mim, que maravilha tão de perto. Filmamos com a câmara 360, mas os vídeos são tão grandes que temos de esperar até estarmos em território “francês”, porque aí voltamos a ter 160 GB de internet por mês.
A ilha seguinte é Mustique. Sabemos que é famosa por lá viverem muitas celebridades: Mick Jagger e Bryan Adams têm lá casa, e em vida também David Bowie morava na ilha. Foi em tempos comprada por Colin Tennant, 3.º Barão de Glenconner, que ofereceu um pedaço da ilha à princesa Margarida, que lá mandou construir uma casa senhorial (quem viu a 3.ª temporada de The Crown já sabe a história). Atualmente pertence a uma fundação que está nas mãos dos residentes. Oficialmente há 500 habitantes, mas achamos que são sobretudo empregados dos proprietários. Experimentem procurar o aluguer de uma ‘casinha’ em Mustique: normalmente vem com uns 10 empregados que vivem na propriedade.
Os residentes não gostam muito de bisbilhoteiros, por isso pede-se educadamente que nos comportemos em conformidade. Há um pontão bem arranjado onde podemos atracar, mas o nosso bote não é nada comparado com os tenders de alguns iates ali fundeados. No fundo, o Merrimac é só um barquinho. Mas a baía é ótima para nadar e de vez em quando passa uma tartaruga. Estamos outra vez bem lá à frente, os entendidos conseguem ver-nos na fotografia da webcam…

Há um supermercado, uma padaria, uma garrafeira, uma loja de roupa e uma loja de recordações com alguma roupa. Toda a gente que se vê às compras está de uniforme do iate ou da propriedade onde trabalha. Na boutique só se vêem personal shoppers; não me sinto propriamente no meu elemento. Um centímetro quadrado de tecido a que chamam biquíni custa 595 dólares americanos; infelizmente não era o meu número.

Em Mustique, o vizinho tem problemas com o motor fora de borda, por isso o Kees oferece-se para levar as 6 senhoras norueguesas a terra. Ainda vai conversar um bocado com o skipper americano, que esta semana tem 12 noruegueses a bordo. Até lhe empresta a chave de velas (que, claro, tem sempre no bote!). Mas nem ao fim de 10 minutos ali pendurado, e mesmo com umas sugestões subtis, lhe oferecem uma cerveja. Nem sequer um obrigado por ter levado as senhoras… que, diga-se, ficaram claro muito contentes com o Kees!

No Basil’s Bar, em terra, decorre o famoso Mustique Blues Festival. Estamos fundeados bastante perto, por isso ouvimos tudo muito bem, mas numa das noites vamos lá jantar e vivemos aquilo de perto. Música maravilhosa e, pela primeira vez em muito tempo, estamos num espaço onde a maioria é branca. Gente esquisita, os brancos, haha. O ambiente era engraçado, com “locais”, “pessoal de luxo”, “yachties” como nós e até umas mesas de “superyachties”, incluindo um grupo de italianos mesmo ao nosso lado – a champanhe, claro! O Kees até acha que viu o Jeff Bezos a dançar, mas não deve ter sido ele.
Depois de Mustique, então, Bequia, de que já vos falei no último post. É uma baía enorme e ficamos mais ou menos ao fundo. Mas, mais uma vez, mesmo à porta do festival de música. Como eu queria ouvir os steel drums com as crianças, o Kees deixou-me na praia e foi trabalhar. Depois de me ir buscar outra vez à praia, seguimos para o Number One, uma plataforma flutuante quadrada no meio do fundeadouro onde montaram um bar. Pode-se atracar de bote e também há táxis que vêm de terra. Por isso não há só gente dos barcos. Conhecemos uns ingleses que vivem na ilha e têm família de visita, e uns trabalhadores da construção irlandeses que estão a construir casas de férias noutra ilha, Canouan, e que tiveram uma semana de folga. Por acaso tínhamos passado por lá e pareceu-nos um sítio desagradável – construção ao estilo da costa belga – e, para já, sem nada para fazer. Enfim, se não se tem dinheiro para Mustique ou não se passa no crivo, talvez sirva.
À noite jantamos num restaurante que alguém no festival me tinha recomendado. A senhora que o gere tem um clube de leitura para as crianças locais: todos os dias, fora do horário escolar, podem ir ler com ela, como explicação ou simplesmente porque gostam.

No dia seguinte, enquanto o Kees está outra vez a trabalhar, vou às compras ao mercado local de frutas e legumes. Há várias bancas e todas têm mais ou menos o mesmo, mas distribuo as compras por umas quantas e tenho conversas simpáticas com os vendedores. Finalmente consigo voltar a comprar abacates!
Ontem chegámos então à ilha principal, São Vicente. Queríamos ficar numa baía chamada ‘Blue Lagoon’, mas já estava bastante cheia e não a achámos tão idílica como o nome prometia: mau fundeadouro, boias velhas com sobretudo barcos já fora do prazo de validade. Além disso, nem sinal da Brooke Shields. Ficámos um pouco mais adiante, junto a Young Island, onde há um resort; estamos quase em cima da praia deles de um lado e da ilha principal do outro. O ferryzinho anda num vaivém com hóspedes e funcionários. É um sítio giro e estamos muito bem numa boia. Terra fica mesmo ao lado: almoçamos num restaurante na ilha principal e apanhamos o autocarro para a capital, Kingstown. No centro há um corrupio de bancas e lojas, tudo muito descontraído. Quando voltamos, as escolas acabaram de sair, por isso a berma da estrada está cheia de alunos e professores, todos de uniforme, à espera do autocarro para casa.
Hoje o Kees tem uma conference call com os Países Baixos, por isso levantámo-nos cedo (às 6). O tempo mudou um pouco, agora apanhamos regularmente um aguaceiro.
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