Chegados a França

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Saímos da chuvosa Cornualha na segunda-feira de manhã, às 6h00, hora do Reino Unido. Começámos por ir buscar a tripulação do William ao cais, já que lhes tínhamos levado o enorme bote de volta para um sítio mais acima no rio Fowey. Depois descemos em conserva até Ouessant (Ushant), com o plano de seguir diretamente para Sauzon, em Belle Île, a sudoeste de Quiberon.

Esperámos até segunda-feira porque estávamos retidos pelo tempo (NL: verwaaid): passou mais uma depressão sobre as Ilhas Britânicas, que um dia depois se transformou numa verdadeira tempestade de verão nos Países Baixos. Assim, ficámos uma semana em Fowey, primeiro à espera dos nossos amigos a bordo do Aegle (e já estamos melhores a pronunciar o nome: e-ie-lee (NL) / a-eel-a (EN) é o que tentamos de momento…) e depois à espera de uma janela meteorológica. Há sítios piores para ficar mais tempo!

No domingo acompanhámos o Arnold no primeiro troço da viagem de comboio de regresso a casa. Acabou por chegar depois da meia-noite, depois de a Ella o ter ido buscar a Hoorn, na primeira semana com a carta de condução! É tão bom ver os filhos crescer e desabrochar!

Enfim, para segunda-feira a previsão era mesmo boa: NW 15 nós ao início, a rodar ligeiramente para W 10-15 mais tarde. Perfeito. Saímos do abrigo da Cornualha e içámos o nosso Code 0.

O Aegle não podia deixar passar o desafio, por isso içaram o genaker deles.

Ficava muito bonito e até nos ultrapassaram, mas depois uma pequena nuvem de chuva fez o vento subir só um bocadinho e pumba! Rasgou-se todo!

Quando o vento subiu para 18 nós, também enrolámos o nosso Code 0 (o que também não foi simples, tive de o fazer duas vezes até enrolar como deve ser) e continuámos com o nosso fiel estai na retranca Hoyt.

Durante o dia, a navegação foi quase perfeita em termos de intensidade do vento, embora a ondulação estivesse um pouco cruzada, o que afetou ligeiramente a Marion, que andou um pouco enjoada. Estava mesmo a escurecer quando chegámos à Île d’Ouessant. Por causa das marés imensas, contornámo-la pelo lado de fora e apanhámos umas quantas ondas bem desagradáveis, mas depois de podermos arribar para o Raz de Sein as ondas ficaram mais pequenas e regulares, e deixámos de bater nelas. Felizmente o Raz, que tem uma péssima fama de travessias agitadas, estava completamente manso, apesar de termos tido de enfrentar uma corrente contrária de 2,5 nós.

Vimos golfinhos muito pequenos quase todo o caminho, e pareciam gostar de nós, porque alguns ficaram por ali durante horas.

No resto do caminho o vento rodou conforme previsto, e no fim tivemos de abrandar para podermos entrar diretamente no porto de Sauzon, que seca na baixa-mar. Na ponta de Belle Île, o farol de Les Poulains esperava por nós ao sol…

Talvez a Ellis e o Dick se lembrem de nos ver a carregar um quadro enorme de Philippe Plisson desde a Hiswa, há muitos anos? Não estava nada assim, e agora damos ainda mais valor ao tamanho daquelas ondas!

O porto estava cheíssimo e, ao início, o responsável do porto, que não falava inglês, ao contrário do que o Arnold e eu encontrámos aqui há dois anos, só nos deu duas boias de amarração, e a de trás começou logo a arrancar a antivegetativa acabada de aplicar num dos lemes. Com um pouco da boa e velha insistência holandesa, depressa ficámos presos a quatro boias como há dois anos, e o mundo voltou a estar em ordem.

O Alex e o William vieram do fundeadouro deles, cá fora, e foram presenteados com um pequeno almoço de queijo holandês e cerveja Brouwdok. Mais tarde, nessa noite, despedimo-nos deles com um jantar em terra, tudo muito à francesa, com imenso marisco delicioso, embora não voltemos a pedir Bulots: são, tal como a empregada previu, um pouco viscosos e borrachudos.

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